FIDC lastreado em recebíveis: quando faz sentido para a empresa
Um fundo de direitos creditórios pode substituir o desconto bancário e reter na empresa parte do spread que hoje fica com o banco. Mas não serve para todos.
Empresas que vendem a prazo e antecipam recebíveis no banco pagam, a cada desconto, uma taxa mensal sobre o valor antecipado. Um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) troca essa relação por uma estrutura própria: o fundo adquire os recebíveis com desconto e é financiado por investidores.
Como a estrutura funciona
- A empresa vende a prazo e cede os recebíveis ao fundo, que paga à vista com desconto.
- No vencimento, o cliente da empresa paga ao fundo.
- Investidores das cotas sênior recebem primeiro e têm a menor remuneração.
- A cota subordinada, em geral detida pela própria empresa, absorve as primeiras perdas e fica com o excedente.
A subordinação é o que permite aos investidores sênior aceitar uma remuneração menor: há um colchão entre eles e eventuais perdas da carteira. É por isso que a estrutura tende a baratear o custo do dinheiro para a empresa.
Quando faz sentido
- Volume recorrente de recebíveis, de modo que os custos fixos da estrutura se diluam.
- Carteira com histórico de pagamento observável e concentração controlada entre os clientes.
- Prazos e documentação dos recebíveis que permitam cessão e cobrança organizadas.
- Disposição da empresa para manter governança e informação periódica ao fundo.
Prazos e papéis
A constituição de um FIDC envolve administrador, gestor e custodiante autorizados pela CVM, além de regulamento, política de crédito e contratos de cessão. Do diagnóstico à primeira cessão, o processo costuma levar alguns meses. O papel da assessoria é modelar a carteira, desenhar as cotas e coordenar a estrutura até que a empresa possa comparar, com números, o novo custo com o desconto que paga hoje.
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